Como avaliar a criança que não fala?


Na Fonoaudiologia muitas vezes nos deparamos com crianças que ainda não desenvolveram a fala, porém mesmo nestes casos, possuímos maneiras para conhecer e avaliar o perfil comunicativo e de linguagem dos pequenos. Vale ressaltar a importância de considerar outras formas de participação, como os gestos e as vocalizações.

A linguagem tem um papel constitutivo no conhecimento de mundo da criança, assim como na interação social. Por isso, a importância e necessidade de se avaliar este aspecto independentemente de estruturas linguísticas já vem sendo realizada nos Distúrbios da Comunicação.

A comunicação não-verbal pode ser escolhida pelas crianças com atraso de linguagem, assim ela merece um lugar de reflexão e análise. A avaliação deve permitir que o paciente seja locutor autônomo, iniciador de processos comunicativos e não somente passivo ao que lhe é perguntado.

Os testes são úteis na avaliação da linguagem em curso, mas a maioria perde sua função em crianças que não apresentam linguagem verbal. A avaliação observacional tem como vantagens a obtenção de dados mais qualitativos, já que atenta-se para a forma e função da comunicação, tendo-se a linguagem como atividade, como ações sobre o outro e o mundo, independentemente das estruturas linguísticas (Hage, 2001).

O foco da análise são as produções da criança como troca comunicativa ou ativi-dade dialógica, através de procedimentos avaliativos observacionais e semi-estruturados, como a brincadeira livre e a brincadeira semi-estruturada, no qual o interlocutor é ativo, respondendo e iniciando as atividades comunicativas. Considerando os seguintes aspectos:

-dinâmica de entrevista;

-analise do comportamento comunicativo e sua intencionalidade;

-aspectos não-verbais e interação, como contato visual e físico, gestos (ex.: apontar) vocalizações e verbalizações;

-intencionalidade do comportamento;

-aguardar a resposta do outro.

-funções dos comportamentos comunicativos;

-meios de comunicação utilizados.

Esta investigação não depende de produção linguística da criança e pode ser investigada naquelas crianças que não falam, possibilitando um diagnóstico mais precoce. Porém, esta avaliação não exclui demais procedimentos que o profissional fonoaudiólogo julgue necessário para o caso.

Bibliografia:

Imagem: http://soatividadesparasaladeaula.blogspot.com.br/2013_08_01_archive.html

Texto: Simone Rocha de Vasconcellos Hage. Avaliando a Linguagem na Ausência da Oralidade – estudos psicolinguísticos. Edusc: Bauru/SP, 2001.

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